Diz-nos então o senso comum, que em idade adulta já não devemos ter determinados comportamentos e dizer tudo o que pensamos. Sabemos que não devemos dizer a alguém, “Epah és mesmo feio/a!” ou “és mesmo gordo/a!”, simplesmente não se diz, pensa-se. Mas nestas coisas, o senso comum não comtempla as pessoas magras.
Conheço algumas pessoas abaixo do seu peso “ideal”, e mais especificamente eu própria. No entanto, o meu “pouco” peso é algo relativamente recente, pelo que tenho ouvido verdadeiras pérolas que quero partilhar.
Numa primeira fase, todos os que me conhecem, começam por perguntar se está tudo bem, se ando no ginásio, se estou a fazer dieta. À primeira pergunta respondo afirmativamente, mas não, não ando no ginásio e não estou a fazer dieta. A partir daqui é o descalabro. Todo o santo dia oiço, “Estás tão magra!” por pelo menos, vá não exagerando, duas pessoas (maioritariamente no trabalho) o que dá 14 vezes na semana, mais os amigos que encontro ao fim-de-semana por aqui e por ali. Ao fim de uns meses, a essa repetição, apetece-me mandar as pessoas para o raio que as parta, no mínimo. É que é chato! Sim, eu estou magra! E então? Não conheço niguém que diga constantemente a um gordo que ele está tão gordo, porquê? Ah pois, o senso comum...
“Ai credo mulher, você nem mamas tem!”, “Se te viras de lado não te vejo!”, “És anorética”, são tudo belissímas frases com as quais já fui contemplada. E que reponder a isto? “Sim, de facto adoro usar um 30 copa A e ponderar de manhã se ponho ou não peúgas dentro do soutien!” à primeira, “experimenta usar óculos, podes estar com um problema de visão” à segunda, e à terceira “ E tu transpiras sebo!” ?
A magreza, pode estar associada a variadíssimas patologias, a questões hormonais, de nervos, stress, disturbios alimentares, ou então do próprio metabolismo. Mas agora os magros, ou muito magros, têm de andar com um relatório médico atrás, a justificar seja lá aquilo que for, para não terem de andar constantemente a ouvir a constatação do óbvio? Têm de publicar no facebook as razões da sua magreza, para ninguém ter dúvidas?
É claro, que tenho de excluir a estas minhas considerações a família próxima ou mesmo os amigos chegados, que esses obviamente perguntam por se preocuparem verdadeiramente, mas também perguntam uma vez e basta.
Portanto crúeis não são as crianças.
