Desde bem cedo tive a clara noção que o acto de amuar não trazia nenhuma vantagem, não fosse essa uma das poucas alturas em que a minha mãe me prometia umas palmadas valentes. E claro, anos volvidos, entendo prefeitamente a sensação de querer esmurrar o/a amuado/a como se “não houvesse amanhã”.
A expressão facial do/a amuado/a é também algo que me intriga, é que uma pessoa irritada, semi-cerra os olhos, contrai os maxilares o que em certos casos até se torna atraente, mas o amuado/a não é nada disso, parece que há uma dilatação das bochechas um inchar do lábio (muito convidativo ao soco) e a ponta do nariz até descai (não sei bem como) sendo no conjunto uma cara que a mim em particular me dá vontade de começar ás chapadas a uma velocidade psicadélica.
As razões do amuo são na sua maioria a não realização de alguma coisa que a pessoa queria e não fez, ou recebeu ou ouviu. A minha preferida é quando se espera qualquer coisa que alguém devia ter feito ou dito, mas tem de se adivinhar sem o/a amuado/a dar qualquer sinal que gostava ou queria. O mais curioso nisto é que a pessoa fica “de trombas” mas não fala do assunto logo... fica a marinar... e os outros têm de perceber por si próprios o porquê. Epah, é que dá cá uns nervos... (bem tinha razão a minha mãezinha). E óbvio, as razões são sempre parvas, porque se assim não fosse a pessoa não amuava, ficava mesmo chateada, esperneava e discutia até lhe passar o azedo.
E se eu amuo? Pois devo amuar, longe da minha mãe pois está claro, “levas uma e passa-te já!”!

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